Colunas do Batatas

23/12/2017

Resenha do livro: O Aprendiz de Morte

Um dos meus autores favoritos faleceu em 2015. Terry Pratchett escreve dentro de seu próprio gênero: uma mistura de paródia com ficção científica e fantasia.

Ele dizia que a histórias de fantasia não são apenas batalhas épicas entre cavaleiros e dragões, mas são uma nova forma de ver o mundo. 

Sir Terry Pratchett é famoso mundialmente pela sua série de livros Discworld, que chegou até o 39ª livro.

“Mas como assim, quase 40 livros para uma série? Eu não tenho tempo para isso tudo!”

Embora o número de livros publicados sob a marca Discworld pode afastar alguns leitores, mas saiba que os livros têm histórias independentes, e O aprendiz de Morte, quarto volume da série, pode ser uma boa porta de entrada para a série.


O Aprendiz de Morte

Ficha técnica: 
Discworld - Vol. 4
Ano: 2002 / Páginas: 253
Idioma: português

O protagonista do livro é a própria Morte personificada, que precisa encontrar um aprendiz para ajudá-lo no trabalho de levar as pessoas para "onde quer que seja" quando elas morrem.  No mundo criado por Terry Pratchett, o Morte é um personagem recorrente, afinal, na maioria dos livros alguém tem que morrer. Nem que seja o vilão. Você sabe, para dar peso à trama. Nesses livros, o Morte era facilmente reconhecido na página pelas letras maiúsculas, que caracterizam sua voz como sendo "profunda e cavernosa", uma voz que "você ouve não com os ouvidos, mas com a mente". Sua presença significa que um dos personagens em cena está com os segundos contados.

- ÀS VEZES SIGNIFICA QUE JÁ ESTÁ MORTO.

- Obrigado pela retificação. Oh? Oh não...


O tal aprendiz de morte, que dá nome ao livro é o Mort (sem o e no final), um menino magricela que passa a ser treinado para fazer o trabalho do Morte (com o e no final), mas não demora muito pro estagiário fazer uma cagada. Mort tenta consertar sozinho o estrago, e a partir daí a trama se complica. Enquanto isso, Morte (com o e no final), tenta se adaptar à vida dos humanos, nessa que é a primeira vez que o temos como protagonista (E descobrimos que ele é um figuraça).


“Uma pessoa só morre realmente quando a agitação que causou no mundo se acaba. A duração da vida de alguém é apenas o núcleo de sua existência.” — Terry Pratchett em O Senhor da Foice

O Aprendiz de Morte, funciona bem como uma narrativa fantástica, oferecendo um humor perspicaz, que muito vem das tentativas frustradas do Morte de entender as emoções humanas, assunto no qual, ele é adoravelmente ingênuo. O problema do Morte, é que lhe faltam glândulas e as reações químicas para que pudesse ter uma ideia real de como é ser gente.

Felizmente, a personalidade não depende da matéria orgânica, e o personagem transborda carisma. Ok, Carisma não parece ser a palavra certa aqui, mas o fato é que até então, ele era apenas “A Morte”, uma entidade despersonificada, e aqui paradoxalmente, ganha personalidade. O problema é que é complicado para alguém na linha de trabalho do Morte desenvolver uma personalidade. Imaginemos se a gravidade desenvolva uma personalidade. Imaginemos se ela decida gostar das pessoas.

Discworld é uma obsessão geek pouco disseminada no Brasil, mas a falta de reconhecimento não significa menos diversão, e O Aprendiz de Morte é uma ótima porta de entrada para o mundo de Terry Pratchett.

Nota: 


Infelizmente, esse livro não pode ser encontrado no Brasil, pois a série parou de ser publicada em 2008. Somente por meio de e-book, download da versão pirateada, ou encontrando um dos raros exemplares perdidos por aí. No mercado livre, O aprendiz de Morte (produto usado) chega a custar R$180,00!

Para a nossa alegria, a Bertrand comprou os direitos de publicação e em 2015 retomou os lançamentos do livro.

Leia as outras postagens sobre a série aqui no blogue:

Pequenos Deuses (1992), que foi o primeiro livro lançado pela editora Bertrand no Brasil e o 13º volume da série. Mas também pode ser um bom lugar para começar a série.   

Lordes e Damas (1992), no entanto, é um livro que é melhor aproveitado se o leitor já tenha  lido Estranhas Irmãs, ou Quando As Bruxas Viajam, publicados pela Conrad.

- OBRIGADO POR LER. VEMOS-NOS QUALQUER DIA

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