Colunas do Batatas

28/12/2017

Links para estudar a linguagem

O objetivo desta postagem é reunir links sobre literatura, gramática, linguagem, etc.

Literatura, livros, poesia e leitura.

A casa do bruxo. Coletânea de poesias. De Fernando Pessoa à Paulo Leminski!

Youtube Educação. Um canal com aulas de português, inglês e vestibulares comentados.

Ler Antes de Morrer. Um canal do Youtube sobre livros e leitura.

Skoob - É uma rede social de livros. Pode parecer inútil, mas é ótimo para descobrir novos livros, organizar suas leituras, manter um histórico do que você leu e relembrar anos depois. Recomendo!

Gramática

Só Português. Gramática normativa (com exercícios).

Colégio Web - Esse tem bastante conteúdo sobre o lado mais prático da gramática, como dúvidas recorrentes de ortografia, etc.

Redação

Banco de redações do Uol - Esse é sensacional! O Banco de Redações traz várias propostas legais sob os temas mais variados. Você pode submeter seu próprio texto ou ler o que os outros usuários escreveram.

27/12/2017

Resenha do livro: O Aprendiz de Morte

Um dos meus autores favoritos faleceu em 2015. Terry Pratchett escreve dentro de seu próprio gênero: uma mistura de paródia com ficção científica e fantasia.

Ele dizia que a histórias de fantasia não são apenas batalhas épicas entre cavaleiros e dragões, mas são uma nova forma de ver o mundo. 

Sir Terry Pratchett é famoso mundialmente pela sua série de livros Discworld, que chegou até o 39ª livro.

“Mas como assim, quase 40 livros para uma série? Eu não tenho tempo para isso tudo!”

Embora o número de livros publicados sob a marca Discworld pode afastar alguns leitores, mas saiba que os livros têm histórias independentes, e O aprendiz de Morte, quarto volume da série, pode ser uma boa porta de entrada para a série.


O Aprendiz de Morte

Ficha técnica: 
Discworld - Vol. 4
Ano: 2002 / Páginas: 253
Idioma: português

O protagonista do livro é a própria Morte personificada, que precisa encontrar um aprendiz para ajudá-lo no trabalho de levar as pessoas para "onde quer que seja" quando elas morrem.  No mundo criado por Terry Pratchett, o Morte é um personagem recorrente, afinal, na maioria dos livros alguém tem que morrer. Nem que seja o vilão. Você sabe, para dar peso à trama. Nesses livros, o Morte era facilmente reconhecido na página pelas letras maiúsculas, que caracterizam sua voz como sendo "profunda e cavernosa", uma voz que "você ouve não com os ouvidos, mas com a mente". Sua presença significa que um dos personagens em cena está com os segundos contados.

- ÀS VEZES SIGNIFICA QUE JÁ ESTÁ MORTO.

- Obrigado pela retificação. Oh? Oh não...


O tal aprendiz de morte, que dá nome ao livro é o Mort (sem o e no final), um menino magricela que passa a ser treinado para fazer o trabalho do Morte (com o e no final), mas não demora muito pro estagiário fazer uma cagada. Mort tenta consertar sozinho o estrago, e a partir daí a trama se complica. Enquanto isso, Morte (com o e no final), tenta se adaptar à vida dos humanos, nessa que é a primeira vez que o temos como protagonista (E descobrimos que ele é um figuraça).


“Uma pessoa só morre realmente quando a agitação que causou no mundo se acaba. A duração da vida de alguém é apenas o núcleo de sua existência.” — Terry Pratchett em O Senhor da Foice

O Aprendiz de Morte, funciona bem como uma narrativa fantástica, oferecendo um humor perspicaz, que muito vem das tentativas frustradas do Morte de entender as emoções humanas, assunto no qual, ele é adoravelmente ingênuo. O problema do Morte, é que lhe faltam glândulas e as reações químicas para que pudesse ter uma ideia real de como é ser gente.

Felizmente, a personalidade não depende da matéria orgânica, e o personagem transborda carisma. Ok, Carisma não parece ser a palavra certa aqui, mas o fato é que até então, ele era apenas “A Morte”, uma entidade despersonificada, e aqui paradoxalmente, ganha personalidade. O problema é que é complicado para alguém na linha de trabalho do Morte desenvolver uma personalidade. Imaginemos se a gravidade desenvolva uma personalidade. Imaginemos se ela decida gostar das pessoas.

Discworld é uma obsessão geek pouco disseminada no Brasil, mas a falta de reconhecimento não significa menos diversão, e O Aprendiz de Morte é uma ótima porta de entrada para o mundo de Terry Pratchett.

Nota: 


Infelizmente, esse livro não pode ser encontrado no Brasil, pois a série parou de ser publicada em 2008. Somente por meio de e-book, download da versão pirateada, ou encontrando um dos raros exemplares perdidos por aí. No mercado livre, O aprendiz de Morte (produto usado) chega a custar R$180,00!

Para a nossa alegria, a Bertrand comprou os direitos de publicação e em 2015 retomou os lançamentos do livro.

Leia as outras postagens sobre a série aqui no blogue:

Pequenos Deuses (1992), que foi o primeiro livro lançado pela editora Bertrand no Brasil e o 13º volume da série. Mas também pode ser um bom lugar para começar a série.   

Lordes e Damas (1992), no entanto, é um livro que é melhor aproveitado se o leitor já tenha  lido Estranhas Irmãs, ou Quando As Bruxas Viajam, publicados pela Conrad.

- OBRIGADO POR LER. VEMOS-NOS QUALQUER DIA

23/12/2017

Diário de leitura: O Tronco do Ipê (Parte II)

Terminei o livro!

citações tronco do ipe alencar
Missão cumprida...


Aí vai uma coletânea de citações...

O sítio em que estavam agora as crianças era de uma beleza agreste, porém majestosa (p.25)

Ambos se desvaneciam de serem um tanto ascendentes de seus prediletos. Benedito, como fora pajem grande do pai de Mário em criança, considerava-se até certo ponto avô do menino. Da mesma forma tia Chica, que tinha criado a mãe de Alice, olhava para esta como se fosse em parte sua netinha. (p.36)

Na desgraça que acabava de suceder, nada havia de sobrenatural. A menina fora vítima da atração que exerce o abismo sobre o espírito humano. (p. 41)

Havia a este respeito uma tradição. Dizia-se que em sucedendo uma desgraça no boqueirão, logo aparecia mais uma cruz à sombra do ipê, indicando a sepultura do infeliz tragado pela voragem (p. 42)

José Figueira era mais velho do que Joaquim de Freitas, cerca de três anos. Tinham gênios opostos, o que de algum modo concorria para ligá-los ainda mais estreitamente. O primeiro comunicava a seu amigo certa paciência e serenidade de ânimo, que deviam fortalecê-lo contra as decepções e contrariedades; o outro, ambicioso, ardente e ousado, infundia na natureza plácida de seu amigo o calor necessário para reanimá-la. (p. 47)

Sem ela, sua ação ficava truncada, sua vitória mutilada: ele teria salvado, embora com risco de vida, um cadáver apenas, um despojo inútil. (p. 76)

[...] começou desde então a venerar nele alguma cousa de sobrenatural, incompreensível para seu espírito inculto. (p. 80)

Benedito também ajoelhara aos pés do menino, mas em vez de rezar por ele, pôs-se a adorá-lo, como a um ídolo. (p. 81)

Ora! O que eu fiz!... Aqui na fazenda há um cachorro, o Trovão, que nada e mergulha muito mais do que eu. Se quer ver um herói, mande buscá-lo; ou então um dos marrecos ali do tanque, pois dentro d'água nos vence a ambos. O conselheiro era homem a quem nada perturbava. Apesar da estranheza da resposta, ele replicou sorrindo com certa magnanimidade magistral: — Ora, senhor estudante, isto é pura e simplesmente um sofisma. O animal obra por instinto, enquanto o senhor arriscou a vida para salvar (p. 84)

A civilização europeia já tinha, é certo, polido esse tipo nacional; mas não lhe desvanecera a originalidade. Alice, embora adquirisse todas as prendas de sala, que a teriam distinguido em uma sociedade elegante, não deixava por isso de apreciar em extremo o papel de doninha de casa, que a indiferença materna lhe permitiu exercer desde muito criança (p. 107)

Na noite do Natal os pretos da roça tinham licença para fazer também seu folguedo, e os senhores estavam no costume (p. 141)

[...] desde muito se travara nele, entre o presente e o passado, entre o homem e a criança (p. 150)

Deu-se então um fenômeno mais comum do que se pensa, uma espécie de ressurreição moral. Quantas vezes a índole natural do indivíduo, sopitada pela educação, tolhida pelas circunstâncias, não ressurge mais tarde com extrema veemência? (p. 151)

Espero que essas citações me ajudem!

Abraços!

O Labirinto do Fauno - um conto de fadas que desafia as convenções do gênero

O Labirinto do Fauno não é só um Alice no País das Maravilhas mexicano, é uma subversão dos contos de fadas. Há duas narrativas paralelas bem delineadas no filme: o plano fantástico imaginado por Ofélia e o plano realista vivido por ela. O que acontece quando as duas narrativas convergem?

Análise do filme:

O labirinto do Fauno
   
Ficha técnica:
O Labirinto do Fauno (2006)
Título original: El Laberinto del Fauno
Diretor: Guillermo del Toro
Elenco: Ivana Baquero, Sergi López, Mirabel Verdú
Uma das duas narrativas do filme começa quando a mãe de Ofélia decide se casar com um cruel capitão que luta contra os rebeldes na guerra civil espanhola. Com o casamento de sua mãe, as coisas se complicam e surge o outro plano da narrativa que se passa no mundo subterrâneo onde vivem o Fauno e outras criaturas estranhas, que podem ou não existir apenas na cabeça da protagonista. 

A estética “dos dois filmes” é maravilhosa, sendo O Labirinto do Fauno um percursor da tendência “conto de fadas sombrio” (tendência em alta hoje, com filmes como João e Maria Caçadores de Bruxa, Maléfica, etc. 

Aliás, ele é o conto de fadas mais sombrio da tendência dos contos de fadas sombrios: nos momentos em que acompanhamos a protagonista no mundo dos humanos, Del Toro nos apresenta um ambiente escuro e hostil, e o mundo das fadas, por sua vez, remete ao primordial, a um tempo de natureza e de magia, mas ao mesmo tempo, a estética é tão escura e hostil quanto o ''primeiro plano".

Mas qual era mesmo a nossa principal fonte de contos de fadas quando éramos crianças?

Eram os filmes da Disney, cujo molde era sempre o mesmo! 

Del Toro quebra esse molde e joga fora. Para reconstruir uma narrativa de contos de fadas, alguns elementos do gênero parecem voltar distorcidos.

Partindo duma premissa típica dos contos de fada, Ofélia é uma princesa perdida, que deve executar testes de caráter para provar que não foi corrompida pelo mundo dos homens. Em seguida, o filme se esforça para quebrar tais convenções dos contos de fadas. 

Nos dois mundos a protagonista está cercada de hostilidade. Quer dizer, não é porque Ofélia está no mundo das fadas que tudo é perfeito. A visita ao covil do Homem Pálido, por exemplo, é um dos momentos mais arrepiantes do filme.


O homem Pálido tornou-se a imagem mais icônica do filme
El Laberinto del Fauno, produção hispano-mexicana, é uma das poucas que combinam os gêneros drama e fantasia. E ao longo do filme, os dois planos entrelaçam-se com equilíbrio para aos poucos convergir, sucedendo então, em contar uma história que nunca poderia ter sido contada por meio do formato tradicional dos contos de fada, que é maniqueísta, patriarcal e pontuado irrevogavelmente com o “…E viveram felizes para sempre”. 

No final do filme a protagonista morreu ou conseguiu retornar ao mundo das fadas? (e isso não é um spoiler, porque a primeira cena do filme mostra a protagonista morrendo)

Para os adultos  —  e esse é um filme para adultos — , com sua preferência pelo racional, a menina morreu e era tudo um mecanismo de defesa diante dos horrores que ela testemunhava. 

E realmente, o conto de fadas tradicional limita o nosso pensamento: no conto tradicional, a Princesa Ofélia não teria a mesma agência e esperaria pelo Príncipe Encantado. Mas em O Labirinto do Fauno, a protagonista desobedeceu as regras dos contos de fada, desobedeceu o coronel, desobedeceu o fauno, fez sacrifícios e no final de sua busca conseguiu retornar ao Reino das Fadas onde Ofélia e seus pais viveram felizes para sempre.

Nota: 10

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Aliás, se você quiser ver o filme, está disponível no Netflix, download gratuito na internet e da última vez que eu vi, tinha disponível até no Youtube!

Bom, por hoje é só, pessoal.

Hasta pronto!

Escrita criativa: palavra puxa palavra

Associe uma série de palavras a cada uma das sugeridas abaixo. Elas devem manter alguma relação com a palavra dada, mas não é preciso pensar muito. Escreva as primeiras palavras que surgirem na sua mente. Esse processo da associação livre funciona assim: a cada palavra, várias outras lhe ocorrem naturalmente.

Noite - Dia
Rio - Córrego
Pedra - Pedreira
Estrela - Sol
Mar - Areia
Muro - Muralha
Vento - Ventania
Ponte - Pênsil
Nuvem - Pesada
Cidade - Lotada
Corpo - Morto
Manhã - Ensolarada
Mão - Cheia
Pássaro - Pena
Boca - Torta


As palavras da primeira coluna foram sugeridas pelo livro, as da segunda foram puxadas por mim. O livro, então sugere que o escritor escolha seis palavras e use-as num texto pequeno. Elas podem aparecer repetidas, em sentido figurado, flexionadas, etc.; o importante é o jogo da imaginação. Aí vai o texto-exercício:


Uma Crônica Binária


Uma tarde de sábado como qualquer outra: passando calor, dentro de casa, trollando na internet. Quando meu amigo me chamou para sair, já ia recusando, mas minha mãe insistiu que eu saísse (contanto que eu não entrasse no mar). Eu não estava afim de stress com a minha velha, então aceitei o convite do meu amigo. Eu não sou muito de sair e me arrependi assim que botei o pé pra fora. Eu não gosto muito de sol, nem de aglomero. O sol queimava e a praia estava lotada, então eu não estava muito feliz. Uma coisa me fez esquecer minha infelicidade: a praia estava cheia de garotas bonitas. O melhor de tudo é que eu estava usando o óculos de sol que minha mãe me deu de natal, então eu pudia espiar seus corpos quase nus sem muitos remorsos.

Meu amigo também trazia consigo seu 3DS. As coisas estavam melhorando: poderíamos aproveitar para trocar pokémons ou jogar Monster Hunter. Mas então eu percebo que ele não estava sozinho: estava com duas garotas. Meu estômago bate no chão. Não sou muito bom com garotas. E eu não sou ingênuo nem nada! Sabia meu amigo iria sugerir que eu ficasse com  algumas delas. Aproveitei o disfarce dos óculos escuros e examinei atentamente as meninas e a primeira impressão não foi muito boa. Pra começar, elas vestiam um biquíni pequeno demais. Mulher que não se dá o respeito é foda. Minha mãe sempre me alertou sobre as mulheres do mundo, então sempre procurei uma menina evangélica, que não seja gordinha e que goste de animes. É pedir demais? OK, não precisa gostar de animes; posso convence-la a gostar depois. O pior é que quando eu cheguei eles estavam falando sobre política, e elas eram claramente esquerdopatas-feministóides. Felizmente, estou sempre preparado com ótimos argumentos e já as botei em seu lugar. Elas relativizavam o aborto, a pena de morte, etc., mas eu as destruía com ótimos argumentos. Meu amigo sugere que a conversa estava pesada demais e muda de assunto comentando sobre os animes da nova temporada, e para minha surpresa, descubro que a mais nova delas, sabe muito de anime! Aos poucos, enxergo ela sob uma nova luz, descobrindo que na verdade ela é muito bonita, Ao longo das férias, conversamos bastante e descubro que ela é engraçada, temos muito em comum e nos damos muito bem. Mas o tanto que temos em comum temos de diferenças. Ocasionalmente, defendemos diferentes pontos de vista e discutimos, como na vez em que ela postou um emoji de angry face quando compartilhei uma imagem do Bolsonaro no Facebook. Apesar disso, estávamos nos dando muito bem, e a coisa naturalmente desenvolveu para a conversa de termos "algo a mais". Eu queria demais ela, mas ela teria que mudar: não conseguiria ficar com uma mulher do mundo, eventualmente brigaríamos. Também não poderia ficar com ela por conta de uma promessa que eu tinha feito a 10 anos atrás, quando eu e uma menina ajudamos um pobre velho que, agradecido, profetizou o casamento entre a gente num futuro próximo. Num gesto simbólico, o idoso nos "casara", fazendo com que nós trocássemos presentes: eu dei para ela um pingente de triforce, e ela me deu um pingente de pena que uso até hoje. Trocamos juras de amor eterno e de um casamento verdadeiro no futuro. 

Foi aí que nos descobrimos: eu e ela ainda usávamos os pingentes da jura de amor. Mas eu não poderia me relacionar com uma vegetariana, feminista e socialista, e nós dois concordamos que seria melhor nem tentar um relacionamento.

DIário de leitura: Incidente em Antares

Nesses últimos três anos, principalmente para aproveitar a Black Friday, eu comprei quase 30 livros. Eu decidi criar vergonha na cara e antes de comprar mais uma dezena de livro, engatar na leitura de pelo menos um livro.

Escolhi um livro do autor brasileiro Erico Veríssimo, e não me arrependo nem um pouco. Incidente em Antares já é um dos meus livros favoritos de 2017.

Análise do livro:
Incidente em Antares
Ano: 1985
Páginas: 485
Idioma: portuguêsEditora: Editora Globo 

O livro é dividido em duas partes; na primeira, acompanhamos a fundação da cidade de Antares, que fica pertinho da fronteira com a Argentina. A princípio, o autor parece recriar uma cidade gaúcha aos moldes da corrente literária regionalista, pois o autor pinta um retrato detalhado da região brasileira no século 19. No entanto, Veríssimo retrata no livro a situação social e política não só do Rio Grande do Sul como do país ao longo de mais de 100 anos.
 
Como plano de fundo para a trama, temos um conflito entre os Campolargos, uma família progressista e os Vacarianos, uma família tradicional. O autor narra esses conflitos através de três gerações, o que por vezes é confuso para o leitor. 
É com todo esse preparo para construir o cenário em que se passa a trama que a segunda parte é tão interessante. Na segunda parte; os coveiros antarianos entram em greve. 
E com isso... os mortos voltam à vida!

E por que não, né?

Um dos mortos pertence a uma das Oligarquias, 
A dona Quitéria dos Campolargos. Cícero, o advogado Quitéria, a matriarca Campolargo, Barcelona, o Anarquista, João da Paz, o jovem pacifista, Pudim de cachaça, o bêbado, Oliveira, o pianista suicida, Erotildes, a prostituta. Todos personagens que foram aprofundados na primeira parte do livro.

Os mortos vão à praça da cidade, e julgando os vivos, assim como a si mesmos, desnudam os problemas da sociedade antarense. Adultério, corrupção... tudo vem à luz.
Dessa forma, o papel social de cada um dos mortos, serve como alegoria:  A elite, o judiciário, a indústria... E o elenco variado e divertido, com um quê de sátira.  
[…] o inferno que vocês agora vão ver é pior, muito pior que o de Dante. Não tem rima nem razão. 
E o livro é altamente citável! Infelizmente, eu não guardei as páginas com os trechos que gostei. O texto é rico, com adjetivos bem empregados e sempre carregado de ironia.

Digno de nota é o verbo "filho-da-putear", usado na página 79: ... depois de se filho-da- putearem abundantemente, estavam já de revólver na mão.  
Outra citação legal: 
"...morrer não é apenas uma fatalidade biológica, como também uma espécie de obrigação social."

E aprendi uma palavra muito útil: 
Não direi que aqui em cima estejamos numa democracia. Imaginemos que isto é uma... uma tanatocracia.
Uma democracia dos mortos! 
Concluindo, esse é o melhor livro que eu encontrei por acidente. Não sabia nada sobre o livro e comprei. 
Uma ótima surpresa.

Respondeo a Tag Liebster Award

Maísa, a blogueira simpática do Pequeno Mundo dos Livros, me convidou para eu responder a primeira tag! Parece o tipo de postagem "expresso", mas não é tão fácil assim. Tem até regras:

Regras: 
Escrever 11 fatos sobre você.
Responder as perguntas de quem te indicou a TAG. 
Indicar de 11 a 20 blogs. 
Fazer 11 perguntas pra quem você indicar. 
Inserir no post uma imagem com o selo Liebster Award. 

Linkar de volta quem te indicou.


11 fatos sobre mim:

1. Eu gosto de batatas.
2. Eu só sei contar até 10 (tenho dez dedos, sou de humanas).
3. Queria ser rico pra poder tacar minhas coisas com tranquilidade na parede.
4. Eu choro assistindo a filmes da Ghibli.
5. Eu tenho idade para ser seu tio.
6. Sempre que tem sorvete e Coca-Cola em casa eu faço uma vaca gorda.
7. EU LARGAVA TUDO PELA AMY POEHLER OU PELA TINA FEY.
8. Eu odeio rotina, mas ao mesmo tempo mudança e instabilidade me intimida.
9. Eu amo a internet, pirataria e memes.
10. Eu acredito em alienígenas.

1 - O que você considera constrangedor, mas faz quando ninguém está observando?

Sou blogueiro e assisto musicais.

2 - Se você fosse um desenho da Disney, qual seria e por quê?
Eu seria a Bela do Beauty and the Beast. Eu e Bela temos o mesmo problema com bebida -- eu passo o dia isolado em casa, alterado no destilado, conversando com a mobília e a prataria... 

Sou rato de biblioteca que nem ela e não dou conta de pagar multas de atraso na devolução (nunca vimos ela devolver aquele livro que ela pegou emprestado no começo do filme). 


3 - O que você faria se os cientistas comprovassem que o mundo acabaria dentro de um ano?

Nossa, eu tocava o puteiro...


4 - Se você pudesse mudar somente um fato do seu passado, qual seria?

Nunca teria jogado Tibia.


5 - Qual é o seu passatempo favorito?

Video games, infelizmente (eles tomam muito tempo).


6 - O que você faria pelo país se tivesse poderes para acabar totalmente com um, e somente um, de seus problemas?

Eu melhoraria a educação. Votem em mim!


7 - Com qual famoso você faria parceria, e por quê?

Eu iria no Domingão do Faustão divulgar meu blog. O tanto de visualizações que eu ganharia... Ô, loco bicho.



8 - Qual citação define sua personalidade?

"Não confunda loucura com felicidade"



9 - O que você gostaria que fosse melhor em seu blog?

Eu acho que meu conteúdo é muito abrangente. Enquanto blogueiras inteligentes escolhem uma área específica e focam em seu público alvo, eu quero abraçar tudo e não consigo abraçar nada. 

Que nem aquela vez que fiquei com aquela gordinha. 

Gostaria também, que o humor fosse melhor. Às vezes eu tento ser engraçado mas acabo parecendo grosseiro, um psicopata ou um blogueiro recalcado.

Mas na verdade sou bem gente fina, apenas estou tentando encontrar a veia da comédia.

Eu juro.

Sou mesmo...


10 - Qual foi seu pior pesadelo na infância?

Se é pesadelo literal, eu não sei. Quem é que lembra desses? Eles somem tão rápido quando acordamos, quem dirá pesadelos que tive 15 anos atrás...

Agora, traumas, eu tive bastantes.

Acabei fazendo as pazes com a religião, mas quando eu era pequeno eu tinha medo daquelas imagens barrocas que eles têm dentro das igrejas. 

Tinha medo de ir pro inferno também.

Eu achava que tava comprando um ticket só de ida pro inferno cada vez que falava um palavrão. 

Passava a noite pedindo perdão, era horrível. 

Porra, ainda bem que eu não tenho mais esse problema...

Puts, que história sombria.

Vou equilibrar com um pesadelo idiota. Aqueles, que só crianças têm. 

Uma vez, quando eu ia na segunda série, enquanto voltávamos da escola uma criança mais velha viu um rolo compressor pavimentando uma transversal e me contou uma história sobre um menino que foi atropelado por um rolo compressor.

Foi o suficiente para eu ter um medo mortal de ser atropelado por um rolo compressor.

Meu Deus essa história é ainda pior.

Ser esmagado por um rolo compressor, morrer...

E ir parar no inferno!



11 - O que você sonha realizar até o fim da sua vida?


Dessa vez eu não vou sair pelas tangentes, me escondendo atrás do humor.

Um sonho que eu é publicar um livro um dia (dentro do gênero fantasia/infanto juvenil). 

Ás vezes a gente usa mecanismos de defesa para nos protegermos. Eu fico repetindo pra mim mesmo que eu não quero realmente fazer isso, para quando eu chegar aos 70 de idade e não lograr publicar nem um conto no jornal do bairro, vou justificar para mim mesmo:

"Nhé ¯\_(ツ)_/¯, nunca foi meu sonho mesmo. Era só um extra que podia acontecer ou não que tanto faz. Vou só assistir ao remake de Friends e finalmente abotoar o paletó.

Como mecanismo de defesa, eu reluto em "aceitar" esse sonho. Mas eu tenho pensado cada vez mais a respeito e acho que seria massa pra caralho ser reconhecido como um escritor, influenciando jovens ao redor do mundo. 

Uma espécie de J. K. Rowling brasileiro.

Eu sei que aí já é meio difícil, mas...

Hey, it's not how good you are, it's how good you wanna be.


________________________________________________

Finalizando, como não conheço muitos blogues, então indico alguns que tenho stalkeado e gostei, e os convido a responder a tag. Se tags não fazem o estilo do seu blogue desconsidere :)

Ah, a regra da tag diz que devem ser indicados 11 blogues, mas não conheço muitos ainda, então se quiser se convidar para responder a tag, entre em contato! É divulgação, é integração, and it's fun!










1 - Quem é você?

2 - Sobre o que é seu blogue?

3 - Compartilhe o seu segredo: diga a iniciativa ou postagem que mais trouxe visualizações ao seu blogue.

4 - Prepare seu discurso de Miss/Mr. Universo:

5 - Que tipo de pergunta você odeia responder?

6 - Se você pudesse viver em um mundo imaginário de qualquer filme, livro ou série, qual seria? Por quê?

7 - Qual seu casal fictício favorito?

8 - Qual seu herói favorito? E qual seu vilão favorito? Quem venceria numa luta? Eles formariam um bom casal?

9 - Eu sei que é difícil escolher só um. Mas é só um. No cheating, ok? Qual é seu livro favorito?

Beijos pros manos e pras minas

Até a próxima

Resenha do livro: O Aprendiz de Morte

Um dos meus autores favoritos faleceu em 2015. Terry Pratchett escreve dentro de seu próprio gênero: uma mistura de paródia com ficção científica e fantasia.

Ele dizia que a histórias de fantasia não são apenas batalhas épicas entre cavaleiros e dragões, mas são uma nova forma de ver o mundo. 

Sir Terry Pratchett é famoso mundialmente pela sua série de livros Discworld, que chegou até o 39ª livro.

“Mas como assim, quase 40 livros para uma série? Eu não tenho tempo para isso tudo!”

Embora o número de livros publicados sob a marca Discworld pode afastar alguns leitores, mas saiba que os livros têm histórias independentes, e O aprendiz de Morte, quarto volume da série, pode ser uma boa porta de entrada para a série.


O Aprendiz de Morte

Ficha técnica: 
Discworld - Vol. 4
Ano: 2002 / Páginas: 253
Idioma: português

O protagonista do livro é a própria Morte personificada, que precisa encontrar um aprendiz para ajudá-lo no trabalho de levar as pessoas para "onde quer que seja" quando elas morrem.  No mundo criado por Terry Pratchett, o Morte é um personagem recorrente, afinal, na maioria dos livros alguém tem que morrer. Nem que seja o vilão. Você sabe, para dar peso à trama. Nesses livros, o Morte era facilmente reconhecido na página pelas letras maiúsculas, que caracterizam sua voz como sendo "profunda e cavernosa", uma voz que "você ouve não com os ouvidos, mas com a mente". Sua presença significa que um dos personagens em cena está com os segundos contados.

- ÀS VEZES SIGNIFICA QUE JÁ ESTÁ MORTO.

- Obrigado pela retificação. Oh? Oh não...


O tal aprendiz de morte, que dá nome ao livro é o Mort (sem o e no final), um menino magricela que passa a ser treinado para fazer o trabalho do Morte (com o e no final), mas não demora muito pro estagiário fazer uma cagada. Mort tenta consertar sozinho o estrago, e a partir daí a trama se complica. Enquanto isso, Morte (com o e no final), tenta se adaptar à vida dos humanos, nessa que é a primeira vez que o temos como protagonista (E descobrimos que ele é um figuraça).


“Uma pessoa só morre realmente quando a agitação que causou no mundo se acaba. A duração da vida de alguém é apenas o núcleo de sua existência.” — Terry Pratchett em O Senhor da Foice

O Aprendiz de Morte, funciona bem como uma narrativa fantástica, oferecendo um humor perspicaz, que muito vem das tentativas frustradas do Morte de entender as emoções humanas, assunto no qual, ele é adoravelmente ingênuo. O problema do Morte, é que lhe faltam glândulas e as reações químicas para que pudesse ter uma ideia real de como é ser gente.

Felizmente, a personalidade não depende da matéria orgânica, e o personagem transborda carisma. Ok, Carisma não parece ser a palavra certa aqui, mas o fato é que até então, ele era apenas “A Morte”, uma entidade despersonificada, e aqui paradoxalmente, ganha personalidade. O problema é que é complicado para alguém na linha de trabalho do Morte desenvolver uma personalidade. Imaginemos se a gravidade desenvolva uma personalidade. Imaginemos se ela decida gostar das pessoas.

Discworld é uma obsessão geek pouco disseminada no Brasil, mas a falta de reconhecimento não significa menos diversão, e O Aprendiz de Morte é uma ótima porta de entrada para o mundo de Terry Pratchett.

Nota: 


Infelizmente, esse livro não pode ser encontrado no Brasil, pois a série parou de ser publicada em 2008. Somente por meio de e-book, download da versão pirateada, ou encontrando um dos raros exemplares perdidos por aí. No mercado livre, O aprendiz de Morte (produto usado) chega a custar R$180,00!

Para a nossa alegria, a Bertrand comprou os direitos de publicação e em 2015 retomou os lançamentos do livro.

Leia as outras postagens sobre a série aqui no blogue:

Pequenos Deuses (1992), que foi o primeiro livro lançado pela editora Bertrand no Brasil e o 13º volume da série. Mas também pode ser um bom lugar para começar a série.   

Lordes e Damas (1992), no entanto, é um livro que é melhor aproveitado se o leitor já tenha  lido Estranhas Irmãs, ou Quando As Bruxas Viajam, publicados pela Conrad.

- OBRIGADO POR LER. VEMOS-NOS QUALQUER DIA

22/12/2017

Papai Noel

Papai Noel
Hoje começou a escola.
Começou rápido.
Eu estou fazendo Composição,
Agora Antônimo,
Agora Sinônimo,
Agora feminino,
Agora masculino,
Agora Aumentativo,
Agora Diminutivo...
Agora é outro dia.
Agora Cópia,
Agora é na cartilha
Agora leitura,
Agora Compreensão do texto,
Agora automatizando,
Agora Ditado,
Agora Auto-Ditado,
Agora minha avaliação,
Agora correção
Agora é outro dia.
Agora é só cartilha
Agora leitura,
Agora Compreensão do texto,
Agora automatizando,
Agora Ditado,
Agora Auto-Ditado,
Agora Minha Avaliação,
Agora Correção...
Agora é outro dia.
Agora Antônimo,
Agora Sinônimo,
Agora feminino,
Agora Composição
Agora feminino
Agora masculino
Agora Aumentativo,
Agora Diminutivo...
Acabou a escola.
Agora é o Natal.

Carlos A. Caldeira (8 anos)