Colunas do Batatas

01/12/2017

O Desmundo de Oribela


Análise do filme: Desmundo (2003)
Duração: 101 minutos
Idioma: português (arcaico)
Sinopse: Brasil, por volta de 1570. Chegam ao país algumas órfãs, enviadas pela rainha de Portugal, com o objetivo de desposarem os primeiros colonizadores. Uma delas, Oribela (Simone Spoladore), é uma jovem sensível e religiosa, que se vê obrigada em casar com Francisco de Albuquerque (Osmar Prado), homem rude, que a leva para seu engenho de açúcar.

Vamos à análise!

Esse filme é muito usado com intenções pedagógicas, mas cuidado: há cenas fortes.

Desmundo conta a história de Oribela, uma jovem portuguesa, e sua vida nova no Brasil colonial.

Claro que esta é uma simplificação grosseira do que o filme consegue dizer em seu tempo de exibição: Desmundo não conta apenas a história de Oribela, mas conta a gênese violenta de um Brasil que não é mundopois as condições de sobrevivência nessa época (recriadas magistralmente) eram horríveis.

A personagem principal não tem segurança nem lugar na sociedade. Ela vem de Portugal para um desmundo em que ela perde completamente sua agência.

Quando ela chega ao Brasil, ela é uma jovem tímida e inocente, que serve como mercadoria da colonia (da mesma forma que os índios); sua única função é casar. 

Seu único esteio é sua fé, mas de nada adianta sua fé nesse desmundo violento e selvagem.

Simone Spoladori, Osmar Prado e Grande elenco

Visto isso, é de se imaginar que o resultado do casamento ao qual ela foi vendida: Oribela se vê absolutamente infeliz com o seu marido e com sua nova posição de submissão (inclusive sendo vítima de violência sexual).

Oribela é vítima de uma "não-sociedade" em que os índios nativos da região não são os únicos "selvagens": os colonizadores portugueses também contribuem para o "desmundo" instaurado ali.

O retrato do índio no filme também é muito interessante, e eles aparecem sendo catequizados (tentativa de categuização) pelos jesuítas.

O Brasil colonial é recriado primorosamente pela equipe do filme: do cenário ao figurino, esta é uma das melhores adaptações para o cinema que a literatura brasileira já teve (esse filme é adaptado do livro homônimo de Ana Miranda). O filme não sucede apenas em recriar o aspecto visual, mas também é uma das recriações mais sinceras do ponto de vista social: nada é romantizado aqui.

Nada é fácil nesse filme.

Nem mesmo a linguagem, que é um dos aspectos mais legais do filme, pois recriaram o português da época. Ou seja: é um filme em português que demanda legendas para que o espectador possa entender!

No fim, Oribela tenta fugir, mas como diz o marido à protagonista ao recapturá-la:  "São duros os grilhões que nos prendem".

E assim, da mesma maneira que o índio não teve um final feliz no fim do período colonial, Oribela também não teve esse final feliz ao final do filme.

Nota: 

Bom, é isso. Espero que tenham gostado e...

Se você precisa fazer um trabalho escolar sobre esse filme, não copie, pois plágio é crime. Aliás, não é por ciúmes do meu texto... você pode usá-lo à vontade!

O problema é que se o professor descobrir, você pode perder a nota, e o pior: copiando você não aprende!

Aliás, recomendo que leia a postagem do Professor Paulo sobre o filme, que você pode acessar aqui

E caso você tenha se interessado, pode assistir ao filme aqui (download gratuito pelo Youtube) e tirar suas próprias conclusões.

Abraços,

Professor Orkut Büyükkökten

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