Nesses últimos três anos, principalmente para aproveitar a Black Friday, eu comprei quase 30 livros. Eu decidi criar vergonha na cara e antes de comprar mais uma dezena de livro, engatar na leitura de pelo menos um livro.Escolhi um livro do autor brasileiro Erico Veríssimo, e não me arrependo nem um pouco. Incidente em Antares já é um dos meus livros favoritos de 2017.Análise do livro:
Incidente em Antares
Ano: 1985
Páginas: 485
Idioma: portuguêsEditora: Editora
Globo
O livro é dividido em duas partes; na primeira, acompanhamos a fundação da cidade de Antares, que fica pertinho da fronteira com a Argentina. A princípio, o autor parece recriar uma cidade gaúcha aos moldes da corrente literária regionalista, pois o autor pinta um retrato detalhado da região brasileira no século 19. No entanto, Veríssimo retrata no livro a situação social e política não só do Rio Grande do Sul como do país ao longo de mais de 100 anos.
Como plano de fundo para a trama, temos um conflito entre os Campolargos, uma família progressista e os Vacarianos, uma família tradicional. O autor narra esses conflitos através de três gerações, o que por vezes é confuso para o leitor.
É com todo esse preparo para construir o cenário em que se passa a trama que a segunda parte é tão interessante. Na segunda parte; os coveiros antarianos entram em greve.
E com isso... os mortos voltam à vida!E por que não, né?
Um dos mortos pertence a uma das Oligarquias, A dona Quitéria dos Campolargos. Cícero, o advogado Quitéria, a matriarca Campolargo, Barcelona, o Anarquista, João da Paz, o jovem pacifista, Pudim de cachaça, o bêbado, Oliveira, o pianista suicida, Erotildes, a prostituta. Todos personagens que foram aprofundados na primeira parte do livro.Os mortos vão à praça da cidade, e julgando os vivos, assim como a si mesmos, desnudam os problemas da sociedade antarense. Adultério, corrupção... tudo vem à luz.
Dessa forma, o papel social de cada um dos mortos, serve como alegoria: A elite, o judiciário, a indústria... E o elenco variado e divertido, com um quê de sátira.
[…] o inferno que vocês agora vão ver é pior, muito pior que o de Dante. Não tem rima nem razão.
E o livro é altamente citável! Infelizmente, eu não guardei as páginas com os trechos que gostei. O texto é rico, com adjetivos bem empregados e sempre carregado de ironia.Digno de nota é o verbo "filho-da-putear", usado na página 79: ... depois de se filho-da- putearem abundantemente, estavam já de revólver na mão.
Outra citação legal:
"...morrer não é apenas uma fatalidade biológica, como também uma espécie de obrigação social."E aprendi uma palavra muito útil:
Não direi que aqui em cima estejamos numa democracia. Imaginemos que isto é uma... uma tanatocracia.
Uma democracia dos mortos!
Concluindo, esse é o melhor livro que eu encontrei por acidente. Não sabia nada sobre o livro e comprei.
Uma ótima surpresa.

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