Um dos meus autores
favoritos faleceu em 2015. Terry Pratchett escreve dentro de seu próprio
gênero: uma mistura de paródia com ficção científica e fantasia.
Ele dizia que a histórias de fantasia
não são apenas batalhas épicas entre cavaleiros e dragões, mas são uma nova
forma de ver o mundo.
Sir Terry Pratchett é famoso
mundialmente pela sua série de livros Discworld,
que chegou até o 39ª livro.
“Mas como assim, quase 40 livros para uma série? Eu não tenho tempo para isso tudo!”
Embora o número de livros publicados
sob a marca Discworld pode afastar alguns leitores, mas
saiba que os livros têm histórias independentes, e O aprendiz de Morte, quarto
volume da série, pode ser uma boa porta de entrada para a série.
O Aprendiz de Morte
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O protagonista do livro é a
própria Morte personificada, que precisa encontrar um aprendiz para
ajudá-lo no trabalho de levar as pessoas para "onde quer que
seja" quando elas morrem. No mundo criado por Terry Pratchett,
o Morte é um personagem recorrente, afinal, na maioria
dos livros alguém tem que morrer. Nem que seja o
vilão. Você sabe, para dar peso à trama. Nesses livros, o Morte era
facilmente reconhecido na página pelas letras maiúsculas, que caracterizam sua
voz como sendo "profunda e cavernosa", uma voz que "você ouve
não com os ouvidos, mas com a mente". Sua presença significa que um dos
personagens em cena está com os segundos contados.
- ÀS VEZES SIGNIFICA QUE JÁ ESTÁ MORTO.
- Obrigado pela
retificação. Oh? Oh não...
O tal aprendiz de morte, que dá
nome ao livro é o Mort (sem o e no final), um menino
magricela que passa a ser treinado para fazer o trabalho do Morte
(com o e no final), mas não demora muito pro estagiário fazer uma
cagada. Mort tenta consertar sozinho o estrago, e a partir daí
a trama se complica. Enquanto isso, Morte (com o e no final),
tenta se adaptar à vida dos humanos, nessa que é a primeira
vez que o temos como protagonista (E descobrimos que ele é um figuraça).
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| “Uma
pessoa só morre realmente quando a agitação que causou no mundo se
acaba. A duração da vida de alguém é apenas o núcleo de sua existência.”
— Terry Pratchett em O Senhor da Foice |
O Aprendiz de Morte, funciona bem como uma narrativa
fantástica, oferecendo um humor perspicaz, que muito vem das tentativas
frustradas do Morte de entender as emoções humanas, assunto no qual, ele é
adoravelmente ingênuo. O problema do Morte, é que lhe faltam glândulas e as
reações químicas para que pudesse ter uma ideia real de como é ser gente.
Felizmente, a personalidade não
depende da matéria orgânica, e o personagem transborda carisma. Ok,
Carisma não parece ser a palavra certa aqui, mas o fato é que até
então, ele era apenas “A Morte”, uma entidade despersonificada, e aqui
paradoxalmente, ganha personalidade. O problema é que é complicado para
alguém na linha de trabalho do Morte desenvolver uma personalidade. Imaginemos
se a gravidade desenvolva uma personalidade. Imaginemos se ela decida gostar das
pessoas.
Discworld é uma obsessão geek pouco disseminada no Brasil, mas a falta de
reconhecimento não significa menos diversão, e O Aprendiz de Morte é uma ótima
porta de entrada para o mundo de Terry Pratchett.
Nota: 















Infelizmente, esse livro não pode ser
encontrado no Brasil, pois a série parou de ser publicada em 2008. Somente por
meio de e-book, download da versão pirateada, ou encontrando um dos raros
exemplares perdidos por aí. No mercado livre, O
aprendiz de Morte (produto
usado) chega a custar R$180,00!
Para a nossa alegria, a Bertrand
comprou os direitos de publicação e em 2015 retomou os lançamentos do livro.
Leia as outras postagens sobre a série aqui no blogue:
Pequenos Deuses (1992), que foi o
primeiro livro lançado pela editora Bertrand no Brasil e o 13º volume da série.
Mas também pode ser um bom lugar para começar a série.
Lordes e Damas (1992), no entanto, é
um livro que é melhor aproveitado se o leitor já tenha lido Estranhas Irmãs, ou Quando As
Bruxas Viajam, publicados pela Conrad.


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