Colunas do Batatas

28/01/2018

Freaks/Monstros (1932): drama ou terror?

Bem-vindos! Podem entrar, não reparem na bagunça. Hoje falaremos de Freaks.
Considerado um "cult clássico", esse filme é transgressor por definição. A a pergunta da resenha  é:
Freaks: drama ou terror?

Resenha: Tod Browning's Freaks / Monstros
Ano: 1932


Hora da historinha!

Em 2009 eu era obcecado por filmes de terror (isso aconteceu depois que meu amigo me apresentou ao filme The Evil Dead). Na época eu descobri muitos desses filmes graças a um blog chamado Cine Trash Revival (que ainda está na ativa!). Era lá que eu baixava terror  italiano, terror japonês, etc. Era lá também que eu baixa filmes dos subgêneros slasher, zumbi, etc. Agora, o inesperado, é que foi nesse blog de filmes de terror que eu descobri a pérola de de Ted Browning.

Mas como assim? Monstros nunca foi um filme de terror!

Eu lembro que na própria postagem no Cine Trash Revival, o autor da postagem fez as devidas ressalvas, dizendo que o filme não era exatamente de terror. 

Vale notar também, que no IMDB, o filme está classificado como Drama/Horror.

Se você não conhece, resumidamente, o filme conta a história de uma trupe circense composta por "monstros". Quando uma jovem mulher se casa com um anão, artista do circo, a trupe decide aceitá-la em sua "família". O que resulta numa das cenas mais clássicas do cinema. 

Assista à cena:


We accept her, we accept her, one of us, one of us!

Bem sabemos que nunca foi a intenção dos responsáveis pelo filme, mas é extremamente emblemático que algumas vezes é justamente horror que o filme causou

Muito a frente de seu tempo, desde seu lançamento o longa tem incomodado àqueles que o assistem, tendo sua exibição proibida por mais de 30 anos.

Recentemente American Horror Story: Freak Show explorou essa capítulo fascinante da história norte-americana, e embora tenham abordado com competência a temática dos párias,  acho que AHS: Freak Show contribuiu ainda mais para o espectador incauto entender errado o filme de 1932.

No fim a mensagem do filme é clara, dizendo com todas as palavras que os monstros somos nós, os telespectadores. O mais engraçado é que a recepção de parte do público foi justamente essa: o espectador mais superficial assiste ao filme e enxerga os personagens como... monstros.

Hoje em dia o filme é um clássico absoluto e não sofre mais censura.

Isso quer dizer que evoluímos e não os consideramos tão grotescos a ponto de censurar o filme?

Acredito que não. 

E eu mesmo admito, que inicialmente, o que me motivou a procurar esse filme foi aquela curiosidade sobre o "estranho e o grotesco".

No entanto, Monstros é um filme é tão poderoso que subverteu minhas expectativas e no começo, eu os enxergava como monstros, mas ao decorrer do filme, passei a enxergá-los como humanos.

Leia o roteiro da essa cena deletada:

De acordo com o roteiro, a cena em que Madame Tetrallini apresenta ao homem errante os artistas, que estão se divertindo na floresta era um pouquinho mais longa. A cena incluía mais diálogo que buscava humanizar os chamados "monstros". Ela conta ao errante que eles estão "sempre em tendas abafadas, com olhos de estranhos os encarando - o que nunca os permite esquecer o que são." O homem responde de forma simpática (claramente a voz do espectador): "Quando eu for ao circo novamente, Madame, eu lembrarei!". No que ela responde: Eu sei Monsieur, você lembrará deles brincando - como crianças -, dentro todos os milhares que vêm para encará-los - para rir-se deles, para arrepiar-se - você será o único que entende."

Esta cena representa muito mais o espírito do filme do que outras cenas em que coisas supostamente dignas do gênero horror acontecem.

Uma pena que essa cena não tenha sido usada no filme original, pois ajudaria a clarificar essa  confusão em relação a como ler o filme.

Não tem como não apreciar o fato de um filme com um drama humano tão mordaz seja chamado Monstros.

Nota: 

Recomendado para quem gosta de Carnivàle, American Horror Story: Freak Show

Se você não assistiu, assista!
Cheers!

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