A postagem de hoje é sobre Amor de Perdição, clássico da literatura portuguesa!
Para alguns, o "livro clássico" é sinônimo de livro difícil. No entanto, conforme vamos lendo, percebemos que esse livro não é tão diferente assim se compararmos a esses romances modernos em que um casal quer ficar junto apesar de todas as adversidades.
Tanto é que o casal protagonista de Amor de Perdição, Teresa e Simão chega a se perguntar:
A desgraça afervora ou aquebranta o amor?
Análise do livro:
Para alguns, o "livro clássico" é sinônimo de livro difícil. No entanto, conforme vamos lendo, percebemos que esse livro não é tão diferente assim se compararmos a esses romances modernos em que um casal quer ficar junto apesar de todas as adversidades.
Tanto é que o casal protagonista de Amor de Perdição, Teresa e Simão chega a se perguntar:
A desgraça afervora ou aquebranta o amor?
Análise do livro:
Amor de Perdição
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| Ano: 2003 / Páginas: 152 Idioma: português Editora: Editora Ática |
O
cenário inicial é Viseu, onde Simão e Teresa se conheceram: eles eram
vizinhos de janela e se apaixonaram perdidamente. No entanto, conforme
as complicações surgem, o cenário muda, afastando cada vez mais o casal
apaixonado.
Apesar
de ser uma mulher vivendo no século XIX, sempre que é possível Teresa
apodera-se de sua agência: ela precisa resistir à pressão de seu pai o
tempo todo, que está firme no intento de arrumar um casamento “ideal”
para sua filha. Tal pretendente é Baltasar Coutinho, primo de Teresa. O
fidalgo, com o apoio do pai de Teresa não mede esforços em conquista-la.
Suas investidas não dão certo, e o pai de Teresa intercede usando
chantagem emocional e a dependência que Teresa tem em seu pai numa
sociedade oitocentista. Teresa está apaixonada por Simão e não se dobra:
contra-ataca como pode, aceitando uma derrota em seus termos.
Estes ardis são raros na idade inexperta de Teresa; mas a mulher do romance quase nunca é trivial, e esta de que rezam os meus apontamentos era distintíssima.
No fim das contas, Teresa não tem agência, e se vê enclausurada num convento da cidade do Porto. Se
não é o desenlace desejado por Teresa, seu pai também não está
contente. Simão, louco de amor, decide interceptar a comitiva que levava
Teresa ao convento, e em romances mais otimistas, o herói lograria em
salvar sua amada e eles teriam uma chance de materializar seu amor. Mas Amor de Perdição não
é esse tipo de história, e a consequência do embate que se sucede os
afasta ainda mais. A única maneira que eles conseguem manter contato é
através de cartas, cujos textos são de uma prosa extremamente poética, o
que é muito apropriado para o tom do romance.
Simão, meu esposo. Sei de tudo... Está conosco a morte. Olha que te escrevo sem lágrimas. A minha agonia começou há sete meses. Deus é bom, que me poupou ao crime. Ouvi a notícia da tua próxima morte, e então compreendi porque estou morrendo hora a hora. Aqui está o nosso fim, Simão!... Olha as nossas esperanças! Quando tu me dizias os teus sonhos de felicidade e eu te dizia os meus!... Que mal fariam a Deus os nossos inocentes desejos?!... Porque não merecemos nos o que tanta gente tem?... Assim acabaria tudo, Simão? Não posso crê-lo! A eternidade apresenta-se-me tenebrosa, porque a esperança era a aluz que me guiava de ti para a fé. Mas não pode findar assim o nosso destino.
- Trecho da carta de Teresa para Simão
Como evidenciado no excerto acima, uma prosa poética reflete o
amor extremamente dramático que é representado em Amor de Perdição, um rebento do ultrarromantismo. O autor pinta o
amor entre Simão e Teresa como um amor ideal, um amor puro, mas
fundamentalmente impossível: torna-se um amor de perdição por causa da
sociedade, que por sua vez é pintada pelo autor com cinismo e ressentimento.
Concluindo, ao falar de Amor de Perdição,
não podemos esquecer de Mariana, a intrusa do romance entre Simão e
Teresa. Ela faz de tudo por Simão, mas sabe que nunca poderá ter o amor
dele.
No fim, a morte de amores, a morte escolhida de Mariana foi, para mim, a perdição mais mordaz representada no livro.
No fim, a morte de amores, a morte escolhida de Mariana foi, para mim, a perdição mais mordaz representada no livro.
Nota: 



Observações:
- O romance romântico agrada a um público predominantemente feminino, e para os contemporâneos de Camilo Castelo Branco não era diferente: em seu texto, o autor quebra a quarta parede, dirigindo-se exclusivamente às suas leitoras, tratando-as como "senhoras".
- Escolhi essa capa para ilustrar a postagem por que planejava fazer uma piada com ela, mas ela é tão horrível que não sei nem por onde começar.
- O livro está disponível em qualquer livraria, biblioteca ou download disponível gratuitamente em acervos online como o instituto Camões e no domínio público.
- Recomendado para: quem gostou Romeu e Julieta, Dom Casmurro, A Culpa é das Estrelas e para quem quer se preparar muito bem para o vestibular, pois com esse livro é possível entender o espírito do Romantismo em Portugal.




Observações:
- O romance romântico agrada a um público predominantemente feminino, e para os contemporâneos de Camilo Castelo Branco não era diferente: em seu texto, o autor quebra a quarta parede, dirigindo-se exclusivamente às suas leitoras, tratando-as como "senhoras".
- Escolhi essa capa para ilustrar a postagem por que planejava fazer uma piada com ela, mas ela é tão horrível que não sei nem por onde começar.
- O livro está disponível em qualquer livraria, biblioteca ou download disponível gratuitamente em acervos online como o instituto Camões e no domínio público.
- Recomendado para: quem gostou Romeu e Julieta, Dom Casmurro, A Culpa é das Estrelas e para quem quer se preparar muito bem para o vestibular, pois com esse livro é possível entender o espírito do Romantismo em Portugal.
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Abraços,
Lucas Botelho
Abraços,
Lucas Botelho

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