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| “O romancista é senhor do espaço e do tempo [...]” |
TEMPO
OBJETIVO (CRONOLÓGICO)
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Referente à sucessão temporal dos acontecimentos.
Pode ser mensurado pela passagem dos dias, das estações do anos, de datas,
enfim , por todo tipo de marcação temporal objetiva.
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TEMPO
SUBJETIVO (PSICOLÓGICO)
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Vincula-se ao tempo cronológico, mas difere deste
porque se trata do tempo da experiência subjetiva das personagens.
Caracteriza, pois, o tempo vivencial destas,
o modo como elas experimentam sensações e emoções no contato com os fatos
objetivos e, também, com suas memórias, fantasias, expectativas.
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Exemplo de tempo cronológico:
Era um dia frio e ensolarado de abril e os relógios batiam treze horas.
(1984, de George Orwell)
Exemplo de tempo psicológico:
“Também se lembrava de Roland dizendo que mesmo a batalha mais curta, do primeiro tiro ao último corpo que cai, pareceu longa para os que dela participaram.”
(A Torre Negra, de Stephen King)
ORDEM: Compreende a
relação entre a ordem (disposição) dos acontecimentos da história e a ordem de
apresentação desses mesmos acontecimentos no discurso (história construída).
Como a ordem dos acontecimentos na história e no discurso raramente coincide,
criam-se anacronias – desencontros entre a ordem dos acontecimentos na história
e a ordem de sua apresentação no discurso narrativo.
Narrativa in media res: o discurso narrativo se inicia com a
apresentação de um acontecimento que pertence ao desenvolvimento da história.
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Narrativa in ultima res: recuo no tempo que se inicia com a
apresentação de um acontecimento que pertence ao desfecho da história.
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Analepses: recuos no tempo que permitem a recuperação de fatos
passados. Corresponde ao que em linguagem cinematográfica é chamado de flashback,
mas é anterior, como técnica narrativa, a esse recurso.
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Prolepses: antecipações no tempo, que permitem a anteposição no plano
do discurso, de um fato ou situação que só aparecerá mais tarde no plano da
narrativa. Corresponde ao que, em linguagem cinematográfica é chamado de flashfoward.
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In media res significa "no meio das coisas", ou seja, a narrativa começa pelo meio. Filmes como A Origem, Kill Bill, Pulp Fiction, Amnésia e Os Suspeitos são bons exemplos. Cuidado: há o perigo de o leitor se perder in media res, e esse recurso muitas vezes é evitado pelos grandes financiadores de filmes, pois consideram que parte do público pode achar difícil acompanhar múltiplas linhas de narrativas.
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| Gráfico exemplificando tempos narrativos não convencionais. |
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| Lost, seriado americano famoso pelo uso engenhoso de flashbacks e flashfowards. |
Cena: coincidência entre os acontecimentos da história e o relato dos
mesmos acontecimentos na narração. Sua marca mais evidente são os diálogos,
marcados pela presença do discurso direto.
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Sumário: incongruência entre os acontecimentos da história e o relato
dos mesmos acontecimentos na narração. O narrador resumo, em nível de discurso,
e os acontecimentos que, na história, marcam-se por um tempo longo. Sua marca
mais evidente é a utilização de discurso indireto pelo narrador na
apresentação resumida dos acontecimentos da história.
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Elipse: o narrador exclui determinados acontecimentos da história no plano do discurso narrativo.
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Pausa descritiva: o narrador aumenta a temporalidade por meio da
inserção de descrições que alongam o tempo, criando, desse modo, anisocronias.
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Digressão: o narrador introduz comentários no discurso narrativo,
fazendo com que o tempo da história pare o tempo do discurso narrativo
(narração) se alonge.
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| O protagonista pode torna-se adulto durante uma música de 3 minutos. |
TEMPO METAFÍSICO OU MÍTICO: é o tempo do ser. Acima ou fora do tempo histórico ou do tempo
psicológico, embora possa neles inserir-se ou por meio deles revelar-se, é o
tempo ontológico (existencial) por excelência, anterior à História e à
Consciência, identificado com o Cosmos ou a Natureza. Tempo de todos, não de um
indivíduo, tempo da humanidade quando era um só corpo primordial, originário,
sempre idêntico, tempo dos arquétipos (Jung), concretizado na recorrência
infinita dos ritos e das festas sagradas, quando se torna presente para o homem
desejoso de retomar contato com o tempo das origens; tempo sacro, tempo eterno,
sem começo nem fim.
Dele nos falam os
relatos míticos dos povos que continuam imersos graças à sua cosmologia mágica
num tempo que sempre volta, inesgotável e igual, e dele temos uma ideia quando
percebemos, por sobre os ombros das personagens dum romance que flutuam sem o
saber num tempo que não se confunde com a sua história ou a sua psicologia.
Revelando sempre que um gesto adquire, pela repetição, fisionomia litúrgica, o
tempo mítico tornou-se obsessão nas estéticas simbolista e pós-simbolista: o
teatro lírico, ou a poesia dramática, dum Maeterlinck ou dum Pessoa, decorrem
duma dimensão de tempo que pressupõe o mítico ou o sagrado; e a poesia
surrealista ou a cosmovisão médio-cavaleiresca dum Guimarães Rosa expressa na
identidade sertão = mundo, são outros exemplos da instauração do tempo mítico
no espaço literário.
Depois de tudo isso, percebe-se a importância do tempo. Afinal, em um dia de leitura podemos viver anos e anos.
Fontes:
- Teoria literária: abordagens históricas e tendências contemporâneas / organização Thomas Bonnici, Lúcia Osana Zolin. Maringá; Eduem, 2003.
- http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/InMediasRes
- A Criação
Literária. Massaud Moisés, 1979.



