Colunas do Batatas

20/12/2017

No fim das contas, os Jogos Vorazes não acabaram

Harry Potter, Crepúsculo levaram milhões de espectadores ao cinema. Para dominar as bilheterias mais um ano, esticaram o conteúdo de um livro em dois filmes. É uma tendência mercenária que visa o lucro em detrimento do pouco de artístico que restava desses produtos culturais.

O Hobbit foi além: transformou o conteúdo de um livro em três filmes...

...e o resultado foi esse.
Repetindo essa tendência, os executivos da Lionsgate, como gostam muito de dinheiro, fizeram da trilogia Jogos Vorazes uma quadrilogia. E se você achava que com isso já tinham espremido toda a narrativa (e dinheiro) da franquia, de acordo com Michael Burns, Jogos Vorazes não terminará em A Esperança *Parte I e II*, sugerindo a  possibilidade de fazer de Jogos anteriores filmes que serviriam como prequel (Afinal, Katniss acaba com os Jogos).

Em A Esperança, não há Jogos Vorazes (não literalmente anyway), e a audiência ficou na vontade de ver matança entre menores de idade. Nada melhor do que uma (ou duas, ou três) prequel para saciar essa vontade.

Eles esquecem que a força do material original está no escopo maior da história. Um filme só com o "bom" (a matança) pode estragar a franquia com uma narrativa monótona. Fico um pouco curioso; talvez eles façam uma narrativa auto-contida e competente.

Mas enquanto isso, parece que estragaram o maior triunfo de Katniss: acabar com os Jogos...

Que os Jogos recomecem!

Vidas Secas - Leitura obrigatória?

Vidas Secas é um dos livros respeitados da literatura brasileira, marcando presença nos vestibulares como leitura obrigatória, e como bem sabemos, leituras obrigatórias são uma ótima maneira de acabar com o prazer da leitura... 

Colocar o livro num pedestal e torná-lo obrigatório afasta leitores. Justamente por isso a avaliação de Vidas Secas no Skoob está baixa (3,9).



Análise do livro:



Ano: 2005 / Páginas: 175
Idioma: português 
Editora: Record


Por ter essa fama de livro "importante" para a literatura brasileira e por ser obrigatório, Vidas Secas é um livro de fácil acesso, sendo fácil encontrá-lo em qualquer biblioteca pública.

Infelizmente, tem sido
 descartado por professores e alunos com resumos "copicola'', o que é u
ma pena, pois é um livro com o potencial de servir para abrir portas para leituras mais densas, porque sua leitura é fácil e rápida.

Mas isso não quer dizer que os personagens sejam rasos. Graciliano Ramos conseguiu colocar no papel a alma de cada um dos personagens: da ingenuidade do Fabiano aos anseios da Sinhá Vitória, tudo parou no papel de uma maneira muito íntima.

Começando o livro, o leitor percebe que os personagens já peregrinavam fazia tempo vindos não se sabe de onde nem para onde. Terminando o livro, o leitor não sabe para onde que continua sua peregrinação.

Além da narrativa não ter começo ou fim, o espaço da narrativa também não tem nome: é alguma região do sertão...

Por transcender tempo e espaço, a obra atinge inquestionável atemporalidade. Você pode ler esse livro daqui a cinquenta anos, com a crise migratória resolvida e o livro ainda vai ser interessante do ponto de vista narrativo. Ou seja, apesar de Ramos abordar a problemática social da crise emigratória, o livro ainda funciona como uma boa história.

Vidas Secas, o trabalho principal de Graciliano Ramos é um monumento que representa a luta dos sertanejos pela sobrevivência em meio a miséria e a fome. 

Recomendo (mas não obrigo) esse livro a todos! 


Se eu conseguir incentivar uma pessoa a abrir esse livro eu já fico feliz.

Deixe seu comentário!

Abraços

O que é a cegueira branca? Análise do livro Ensaio Sobre a Cegueira

O que aconteceria se de repente todo o mundo ficasse cego?

O livro do autor português Ensaio Sobre a Cegueira levanta algumas hipóteses.

É deliciosamente apropriado que Saramago tenha intitulado o seu livro de "ensaio"
, afinal, com seu ensaio sobre a cegueira, ele levanta algumas questões incômodas, assemelhando-se a esse gênero mais acadêmico.

Mas não se engane: este é um "ensaio" com uma ótima narrativa escatológica, que aborda nossos medos mais primordiais, como a perda da identidade, a perda da humanidade, e, demonstra como a nossa organização em sociedade é frágil.


Análise do livro:

Ensaio Sobre a Cegueira

Ficha técnica:

Uma cegueira altamente contagiosa - os cegos dizem enxergar um "mar de leite" - ataca uma cidade sem nome com uma cegueira sem precedentes. 

Como o autor explica isso?Uma mutação? Um castigo divino? 

O Ensaio é uma narrativa kafkaesca por valer-se de uma premissa absurda com uma abordagem realista dos pormenores. Por isso, não importa o porquê. O autor determina uma lógica interna, onde tal cegueira é possível,  para então,  descrever as consequências da epidemia com detalhes excruciantes. 

E ele não tem pena do leitor e o declínio da humanidade é sujo e brutal.

O medo cega... são palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegámos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos.

Alguns autores conseguem escrever sobre as pequenas coisas que acontecem do cotidiano com as quais o leitor se identifica, como por exemplo, quando o autor narra como "brincamos de cego", só para ver como seria. Não é só isso: tudo muito familiar, e todos os detalhes das complicações que surgem com essa cegueira em massa, como a falta de comida, os problemas com saneamento... 

Conforme lemos, nos colocamos no lugar da Mulher do médico, a única testemunha ocular das barbaridades que ocorrem na quarentena.

O leitor se pega imaginando se faria algo diferente, estivéramos nós na mesma posição...

Eu me peguei imaginando como seria fácil matar os cegos da "ala dos bandidos''. Bastava roubar a arma deles e despistá-los caso tentassem reagir.


Ou especialmente terrível, colocar-se no lugar dos cegos andarilhos, imaginando o desamparo de se perder na rua e não conseguir mais voltar para casa. O livro é difícil para o leitor. E também o foi para o autor:

Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso.

Enfim, em 2009, o livro foi adaptado para o cinema. Blindness, dirigido por Fernando Meirelles, não agradou ao público. As principais críticas eram as cenas fortes, a inverossimilhança da cegueira branca e a passividade da protagonista. 

Irônico, não? 

A questão principal do filme era justamente a conivência da protagonista. A premissa é apenas "uma desculpa" para abordar o tema de (falta de) humanidade.

Há vários tipos de cegueira em discussão: a cegueira da conivência, a cegueira literal, a cegueira com o próximo...

Imagine como seria acordar e enxergar um mar de leite.

Aliás, este é um grande livro da literatura portuguesa. Um grande livro que podemos lerno idioma original - nada é perdido na tradução: todas as palavras e significados que o autor pretendia transmitir estão ali. 

Quando é que tivemos um livro "pós-apocalíptico", com toques de Stephen King no nosso idioma?!

O Ensaio foge das formas do romance tradicional, que por vezes afasta leitores menos experientes.
Vale destacar a forma como o autor pontua seus diálogos,  que torna a leitura muito mais fluída. É meio difícil explicar. Mais fácil mostrar um trecho:

Chamem a polícia, gritavam, tirem daí essa lata. O cego implorava, Por favor, alguém que me leve a casa. A mulher que falara de nervos foi de opinião que se devia chamar uma ambulância, transportar o pobrezinho ao hospital, mas o cego disse que isso não, não queria tanto, só pedia que o encaminhassem até à porta do prédio onde morava, Fica aqui muito perto, seria um grande favor que me faziam. E o carro, perguntou uma voz. Outra voz respondeu, A chave está no sítio, põe-se em cima do passeio. Não é preciso, interveio uma terceira voz, eu tomo conta do carro e acompanho este senhor a casa. Ouviram-se murmúrios de aprovação. O cego sentiu que o tomavam pelo braço, Venha, venha comigo, dizia-lhe a mesma voz. Ajudaram-no a sentar-se no lugar ao lado do condutor, puseram-lhe o cinto de segurança, Não vejo, não vejo, murmurava entre o choro, Diga-me onde mora, pediu o outro.

Concluindo, Saramago demonstra nesse "ensaio", que somos incapazes de enxergar o sofrimento do próximo. Essa é a cegueira branca. A cegueira do egoismo, da intolerância, da indiferença.

Ou nas palavras do autor...

Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.

Nota: 

Isso é tudo, pessoal!

Deixem sua opinião nos comentários!

Aluísio de Azevedo

Aluísio de Azevedo- Aluísio de Azevedo fez parte do movimento literário naturalista.

- O autor nasceu no Maranhão.

- Azevedo foi parte do movimento naturalista, que enfatiza o lado patológico do ser humano, as perversões dos desejos e o comporta-mento das pessoas influenciado pelo meio em que vivem.

- Suas principais obras foram Casa de Pensão e O Cortiço.


- Azevedo é considerado um importante abolicionista brasileiro. Isso porque criticou a escravidão no país, ressaltando o tema racial em seus romances.

- Grande parte de sua obra foi influenciada pelos escritores: Eça de Queirós (português) e Émile Zola (francês).


15/12/2017

Autores brasileiros contemporâneos

Na escola estudamos os autores consagrados pelo cânone literário.

Sendo Machado e Alencar são os objetos de estudo na disciplina de Literatura...

O ano passa rápido e os autores contemporâneos não passam de uma nota de rodapé...

E aí, muita gente acaba achando que o único autor brasileiro é o Eduardo Spohr.

Fala sério!

Se veio parar nesta página, provavelmente tem interesse em descobrir quem são esses autores. Por isso, aí vai uma lista com os melhores autores brasileiros ou portugueses e seus melhores livros:

Moacy Scliar (1937 - 2011)
Romance recomendado: "O Centauro no Jardim"

Rubem Fonseca (1925 - presente)
Romance recomendado: "Agosto"

João Antônio Ferreira Filho (1937 - 1996)
Romance recomendado: "Paulinho Perna Torta"

João Ubaldo Ribeiro (1941 - 2014)
Romances recomendados: "O Sorriso do Lagarto" e "Sargento Getúlio"

valter hugo mãe (1971 - presente)
Romances recomendados: "a máquina de fazer espanhóis" e "o filho de mil homens"

José Louzeiro (1932 - presente)
Romance recomendado: "Pixote"

12/12/2017

Sir Terry Pratchett não mede palavras, e critica a religião organizada em Pequenos Deuses, o 13º livro da série Discworld.

ANÁLISE DO LIVRO:

Pequenos Deuses
Título Original: Small Gods (1992)
13º livro da série Discworld
Ano: 2015 / Páginas: 308
Idioma: português
Editora: Bertrand Brasil
Nos livros das bruxas (Estranhas Irmãs, As Bruxas Viajam, Lordes e Damas), o autor subverte as convenções das lendas europeias, nos livros dos magos (A Luz Fantástica, A Cor da Magia, O Oitavo Mago) satiriza a instituição da universidade.
Mas em Pequenos Deuses?

Esse livro é uma exceção na série, e encontramos poucos dos velhos conhecidos.

Aqui STP (Sir Terry Pratchett) conta uma história sobre seus personagens mais conhecidos, fazendo uma exceção ao introduzir um personagem completamente novo para contar a história de uma poderosa teocracia que conquista seus vizinhos em nome do Deus Om (não tem problema matar se for em nome de Deus, como diz um dos personagens).

Pequenos Deuses não é apenas um comentário sobre religião, mas uma história e personagens que cativam, e conta com a costumaz escrita maravilhosamente criativa do autor. 

Sério, a escrita de Sir Terry Pratchett é fora desse mundo.

O texto dele é vivo!

Ele usa letras com fontes diferentes para caracterizar personagens, usa figuras de linguagem, usa descrições incríveis, etc...


Como nos outros livros da série, o autor se vale do mundo que construiu - tão rico que pode figurar ao lado de outros como o mundo de Fogo e Gelo, do G.R.R.Martin ou até mesmo da Terra Média de Tolkien -, como playground para tecer sua crítica social, fazendo piada de mitos, grandes filósofos, etc...

Pratchett não satiriza apenas grandes figuras históricas: temos equivalentes no Discworld para várias de nossas convenções sociais, hipocrisias, falácias, dependências, etc.

Sátiras frequentemente correm o risco de não terem identidade narrativa. 


Então o leitor de minha resenha pergunta:

Isso quer dizer que em algum momento Pequenos Deuses deixa de ser uma narrativa para ser exclusivamente uma sátira?

Não!

Pratchett se aproveita do mundo que criou, rico em detalhes e consegue quebrar a quarta parede para fazer sua sátira, mas depois consegue reerguer a parede, mantendo a integridade de sua narrativa.

Por exemplo: em Pequenos Deuses, o poder de um Deus é proporcional à crença que os seus fiéis têm nele. O que funciona ao mesmo tempo como uma alegoria para o mundo real, mas também como uma engrenagem para a trama.


As capas dos livros do Discworld são maravilhosas. Pelo artista Josh Kirby

Concluindo, Pequenos Deuses conta a história de Brutha, um noviço que passa a questionar sua religião ao conversar com o próprio deus. Uma história fanatismo, com paralelos arrepiantes com o mundo real.


Se você não conhece o trabalho do autor, este livro é uma ótima oportunidade, pois é uma leitura que pode ser feita de forma independente do resto da série Discworld. 

Nota: 

Recomendo Terry Pratchett para fãs de Neil Gaiman, Douglas Adams, Lewis Carrol...

Comprando pela Amazon você ajuda o Blog!


Até a próxima!

Hogfather

Para algumas pessoas natal significa família (sem esquecer de suas raízes religiosas).

Para alguém que tenha deixado a infância para trás ou que não tenha filhos, o natal é só mais um dia. Uma data comercial.

Esse alguém fica mais ansioso para a Black Friday do que para o Natal.

Para esses, que perderam a espírito natalino, temos Hogfather, vigésimo livro da série Discworld, que é um dos melhores argumentos a favor do Natal.


Hogfather é o vigésimo livro da série Discworld e o quarto livro protagonizado pelo Morte.

O enredo começa quando os Auditores da Realidade (criaturas obcecadas com ordem e regras) contratam um assassino para matar o Hogfather (o equivalente do Papai Noel no Mundo do Disco).

Mas por quê? Bom, tudo que sabemos é que os Auditores não gostam dos humanos, então presume-se que há algo a mais por trás do que apenas impedir que crianças ganhem presentes do bom velhinho.

O Morte, sendo uma forma antropomórfica onisciente, sabe de tudo isso, mas não pode fazer nada a respeito do assassinato porque não pode interferir diretamente nos assuntos humanos.

Por isso, instiga sua neta adotiva, Susan, a lidar com a situação.

Enquanto isso, Morte dá um tempo em seu trabalho como ceifador sinistro e assume o papel do bom velhinho.

É mais engraçado imaginar um esqueleto vestido de Papai Noel enquanto você le o livro do que ver a imagem do Morte vestido de Hogfather proporcionada a nós pela adaptação televisiva, mas aí vai:


Hogfather desconstrói sem pena muitas tradições do natal, ao mesmo tempo enaltecendo a importância dessas tradições.

Morte impede que a menina da caixa de fósforos morra congelada, por exemplo.

Hora, se a função do bom velhinho é distribuir presentes, que presente melhor para se dar a menina da clássica história infantil senão um futuro?

O livro ainda critica o pequeno problema das pessoas que são babacas todos os dias do ano e decidem ser caridosos na véspera de natal.

Enfim, há muitos problemas com algumas das tradições natalinas, mas Pratchett devidamente aponta que a inocência da criança que acredita no bom velhinho não é um desses problemas.

Pratchett era um ateu, mas não do tipo científico. A encorporação do científico e as regras da racionalidade no Discworld são os Auditores, os vilões desse livro.

O Morte sabe que arruinar a inocência das crianças é mortal para a humanidade. Morte repetidamente alerta que se o Hogfather não tiver sido encontrado a tempo do Hogswatch, o sol não nascerá.

O que morte quer dizer, é que o "sol", seus significados e os dia-a-dia como o conhecemos por mais de milênios deixaria de existir. No dia em que a criança perde o natal, não nasceria o sol, mas apenas uma bola de gás.

Ciência e racionalidade não é de todo mal, mas o acreditar é que dá cor e poesia para a vida. 

Mesmo que esse acreditar tenha significados falsos, não deixa de ser essencial para a experiência humana.

Exercício - Classicismo

1) (FGV-SP) Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmação seguinte:

O movimento desenvolveu-se no apogeu político de Portugal; consiste numa concepção artística baseada na imitação dos modelos clássicos gregos e latinos. Nele, o pensamento lógico predomina sobre a emoção, e a estrutura da composição poética obedece a formas fixas, com a introdução da medida nova, que convive com a medida velha das formas tradicionais.
Trata-se do:
a) Modernismo.
b) Barroco.
c) Romantismo.
d) Classicismo.
e) Realismo.
2) As obras literárias produzidas durante o Renascimento privilegiam as seguintes características, exceto:
a) Recuperação de temas da Antiguidade Clássica.
b) Perspectiva humanista.
c) Universalidade.
d) Racionalismo.
e) Metafísica e religiosidade.

3) (Fuvest)

"Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer."

De poeta muito conhecido, está é a primeira estrofe de um poema que parece comprazerse com o paradoxo, enfeixando sensações contraditórias do sentimento humano, se examinadas sob o prisma da  razão.

Indique, na relação a seguir, o nome do autor.

a) Bocage.
b) Camilo Pessanha.
c) Gil Vicente.
d) Luís de Camões.
e) Manuel Bandeira.


4) Qual foi o impacto da publicação da obra Os Lusíadas, de Camões?

O uso do acento circunflexo


Visto isso, responda:

A exemplo de “voos”, algumas regras de acentuação gráfica mudaram com o Novo Acordo Ortográfico. Assinale a alternativa correta que contém uma palavra que também perdeu o acento:

(A) lençóis
(B) contribuído
(C) lêem
(D) troféu
(E) fiéis

11/12/2017

Estudando a literatura portuguesa: Almada Negreiros



Vasco Gargalo, de Almada Negreiros

José Sobral de Almada Negreiros foi um artista português.

Dedicou-se à pintura, artes plásticas e à escrita. Mesmo que tenha dividido sua atenção nesses diferentes escapes criativos, era um grande artista em cada um.

Acrescentando-se a isso o fato de nunca ter tido educação formal em artes, Negreiros se torna ainda mais notável.


Mais tarde, envolveu-se na publicação da revista Orpheu.

A obra de Negreiros reflete uma "[...] condição complexa, experimental, contraditória e híbrida da modernidade".

O teatro ocupa um lugar central na vida de Almada, tendo sido responsável por muitas peças.

Ficheiro:Almada Negreiros, Retrato de Fernando Pessoa, 1954, oleo sobre tela, 201 x 201 cm.jpg
Fernando Pessoa desenhado por Almada Negreiros

Foi conhecido de outros grandes artistas como pessoa e Sá-Carneiro.

Enfim, é impossível olhar para Almada Negreiros sem estudar cada uma de suas venturas separadamente. Destemidamente político e figura central do modernismo, o artista português e sua obra fazem parte da herança cultural dos falantes de língua portuguesa.

10/12/2017

Resenha do livro: Lordes e Damas

Aproveitando-se da fama póstuma do autor britânico Sir Terry Pratchett, a editora Bertrand reiniciou as publicações dos livros da série Discworld no Brasil. O próximo da lista é Lordes e Damas, o primeiro que traz as bruxas de lancre como núcleo principal da história.

Análise do livro:

Ficha técnica:
Lordes e Damas (Lords and Ladies)
Discworld # 14
Terry Pratchett
Ano: 2015 / Páginas: 294
Idioma: português
Editora: Bertrand Brasil

Depois de "As Bruxas Viajam (1991)", Vovó Weatherwax, Tia Ogg e Magrat retornam à Lancre.

Elas são as bruxas dessa região, que fica na beira do Disco.

Mas o autor do livro tem uma ideia muito específica para o que é a bruxaria em seu mundo fantástico: as bruxas do mundo do disco, são poderosissímas, mesmo que não o demonstrem com feitiços espalhafatosos. Elas o fazem por meio de psicologia (cabeçologia), e por meio do seu conhecimento das engrenagens do universo. E a magia das bruxas é muito diferente daquela que os magos usam, ou nas palavras do autor:

O que é magia?
Há a explicação dos magos, que vem em duas formas, dependendo da idade dele. Magos mais velhos falam de velas, círculos, runas e a importância de ter pelo menos quatro boas refeições todos os dias. Magos mais jovens, particularmente os pálidos que passam a maior parte do tempo no edifício de Magia de Alta Energia.
As bruxas têm muitas habilidades, mas uma muito explorada nesse livro é a do "empréstimo", com a qual Vovó consegue ver o mundo através dos olhos de criaturas. Nos livros das Crônicas de Fogo e Gelo, alguns personagens têm a mesma habilidade, mas a forma que Pratchett escreve essas cenas é muito mais engenhosa. É uma habilidade comum nos romances fantásticos, e o autor é conhecido por satirizar o gênero. Então o autor traz a lógica para dentro do campo da fantasia. Como Vovó fica inconsciente quando faz os empréstimos, ela segura uma placa para saberem que não está morta, e quando volta ela sofre efeitos colaterais bizarros que dependem do animal que ela usou.
  
Os grandes vilões, os elfos, fazem o papel de antagonistas. Longe de serem os elfos Tolkien, é mais uma forma que Pratchett encontrou para subverter as convenções do gênero.

Sobre essa edição da Bertrand: ela vem com uma capa bonita e uma boa tradução. Eu imagino que seja desafiador traduzir o texto de Sir Terry Pratchett, e embora o trabalho de tradução seja sólido, não substitui o original em inglês.

O autor já foi acusado de criar uma boa sátira em detrimento de desenvolver bons personagens.

Então temos em Lordes e Damas, a Vovó Weatherwax, bruxa líder que enfrenta quaisquer ameaças sem vacilar. Ela é extremamente inteligente, e não acata a regra nenhuma da sociedade de Lancre. Isso acaba funcionando como uma sátira para costumes atuais.

Sério, a Vovó, é intocável.

E um personagem invencível normalmente não tem profundidade. Para ser um bom personagem, ele tem que ter fraquezas certo.

No entanto, a confiança da personagem em suas habilidades é parte de sua personalidade (e parte fundamental da bruxaria, demonstrar o seu poder para inspirar respeito).

Ela não é um personagem que demonstra afeto facilmente, e, mesmo assim, a amizade entre Vovó, Tia Ogg e Magrat é uma das mais bonitas da literatura fantástica, e não há lorde nenhum que fique no caminho da amizade das damas.

Nota: 

Gostou? Se gostou clique em curtir, comente, imprima e cole no poste, faz uma tatuagem, deixa os bens pra mim no testamento, dá o nome de filho em homenagem a mim e compartilha...

Ah, e comprando pela amazon, você ajuda o blogue!

Hasta luego!

06/12/2017

Estudando Literatura: Alexandre Herculano

Síntese da biografia:

Autor português;

Sua magna opera é Eurico, o Presbítero;

Também conhecido por retratar a história portuguesa;

Estudou francês, inglês e alemão;

Teve problemas com o clero por conta do conteúdo de seus romances;

Bibliografia
Obras principais de Alexandre Herculano

Poesia
  • A Voz do Profeta – 1836
  • A Harpa do Crente – 1838
  • Poesias – 1850
Teatro
  • O Fronteiro de África ou três noites aziagas
  • Os Infantes em Ceuta – 1842
Romance
  • O Pároco de Aldeia (1825) – 1851
  • O Galego: Vida, ditos e feitos de Lázaro Tomé
Romance histórico
  • O Bobo (1128) – 1843
  • O Monasticon
  • Eurico, o Presbítero: Época Visigótica – 1844
  • O Monge de Cister; Época de D. João I – 1848
  • Lendas e narrativas – 1851
1.º tomo
  • O Alcaide de Santarém (950-961)
  • Arras por Foro de Espanha (1371-2)
  • O Castelo de Faria (1373)
  • A Abóbada (1401)
2.º tomo
  • Destruição de Áuria: Lendas Espanholas (século VIII)
  • A Dama Pé de Cabra: Romance de um Jogral (Século XI)
  • O Bispo Negro (1130)
  • A Morte do Lidador (1170)
  • O Emprazado: Crónica de Espanha (1312)
  • O Mestre Assassinado: Crónica dos Templários (1320)
  • Mestre Gil: Crónica (Século XV)
  • Três Meses em Calecut: Primeira Crónica dos Estados da Índia (1498)
Para baixar sua principal obra, Eurico, o Presbítero, clique aqui.

Além da segunda temporada de Carnivàle

Se me perguntassem:

Vale a pena assistir Carnivàle mesmo tendo sido cancelada prematuramente?  

Eu digo que sim, pois o último episódio que temos tem bastante conclusões, pois os produtores sabiam do risco do cancelamento. Ficaram algums pontas soltas, sim, mas os escritores revelaram em entrevista a que direção a história seguiria caso a série houvesse sido renovada para as demais temporadas.

Dê uma chance ao seriado, mesmo com as pontas abertas deixadas pelo season finale abrupto, Carnivàle é um grande seriado.

Ah, e a tal entrevista com os criadores da série explica muita coisa pontas soltas, mas infelizmente, esse conteúdo não está disponível em português. O objetivo dessa postagem é disponibilizar esse conteúdo em português.

Entrevista com os criadores da série original da HBO, Carnivàle:



O criador da série explica que em Carnivàle, Avatar significa (assim como na mitologia hindu) "Descendente de Deídade". No entanto, nos episódios esse termo não é explicado (apenas aparece nas enigmáticas visões sofridas pelo protagonista). No monólogo de Sansom, o anão, que narra o prólogo da primeira temporada, usa os termos "Criatura da luz" e "Criatura da escuridão" para referir-se aos Avatares.

No folclore da série, os Avatares representam a luta entre o bem e o mal através dos séculos...

No mundo da série, vários acontecimentos históricos estão relacionados à guerras entre os avatares da luz e avatares das escuridão que existiram antes de Hawkins e Crowe. 

Por exemplo: a Idade das Trevas, no mundo de Carnivàle, aconteceu por conta da vitória da criatura da escuridão naquele ciclo  avatar. A era do Iluminismo por sua vez, aconteceu por conta da vitória de um profeta da luz.

No seriado, Insinua-se que a mera presença de Scudder no sul dos Estados Unidos foi a causa da depressão, das tempestades de areia e de todos, e que causava toda série de infortúnios à tudo e a todos por onde passava.

Detalhes como esse podem passar despercebidos aos espectadores. É bem interessante a forma com que a história do mundo real se funde com a do fictício, conferindo à narrativa de Carnivàle um quê de grandiosidade.

As casas ou dinastias:

As duas Casas (Luz e escuridão) têm uma inclinação moral especifica (bem ou mal), mas ambas tiram seus poderes da mesma fonte. Isso significa que Brother Justin pode curar as pessoas (mesmo tendo uma inclinação moral para a escuridão, sendo o poder de cura mais comum em Criaturas de Luz), assim como o protagnista, Ben Hawkins o faz. Justin também tem o livre-arbítrio para agir contra a inclinação moral de sua "Casa". 

Só que é muito difícil para um avatar resistir à sua natureza natureza. É por isso que Scudder e Brother Justin sofrem tanto. Isso quase nos faz ter pena do Justin, não?

Mais sobre os poderes dos avatares: há várias habilidades, como a projeção astral, a cura do corpo e do espírito, a transfêrencia de vida e doença, a persuasão...

Esses poderes são como talentos, alguns avatares são bons em telepatia outros são melhores em enxergar a pessoa e saber seu passado (Brother Justin quando faz as pessoas encarar seus pecados). Hawkins era muito bom em curar e transferir força vital, e o vemos fazê-lo várias vezes durante a série: quando ele cura a menina que não conseguia andar, quando ele cura a mente da mulher que se tornara insana com a morte de seu bebê, quando ele cura o espírito do homem que vendia o corpo de sua filha especial...

Mas todos sem exceção vêem em seus sonhos o passado, futuro e presente, seja de forma literal ou simbólica. Também enxergam os outros profetas e príncipes, e isso ajuda a convergir as duas tramas de Carnivàle no final.

A hierarquia das dinastias:

- Os Profetas

Profeta é o posto mais alto na hierarquia das dinastias Avatar e são os mais poderosos. Lucius Belyakov e Hawkins (que se tornou profeta no final da segunda temporada) são exemplos que vimos durante o curso das duas temporadas. Eles sempre têm Vitae Divina. Isso é, o sangue azul, que na vida real é associado à famílias nobres. No entanto podem ou não ter a "benção".

- Os Príncipes

Príncipe - Esse e o profeta são a mesma coisa, mas esse, tem poderes mais fracos esse. Para se tornar um Profeta, o Príncipe deve matar (atacando de surpresa) o antecessor de sua própria casa ou o Profeta atual pode conceder a benção por vontade própria (foi esse o caso de Hawkins e o Gerente). Se o princípe não conseguir o pegar de surpresa, o profeta usa uma barreira psíquica que pode matar o príncipe ou deixa-lo insano (era esse o medo de Brother Justin, e por isso que demorou tanto para matar o Scudder). O Príncipe vira Profeta por direito quando o profeta morre de causas naturais e ganha o Vitae Divina, mas perde para sempre a chance de conseguir a benção de seu antecessor. Isso significa que ele torna-se um Profeta com uma fração menor do poder.

- As Vectori

Mulheres não podem se tornar Princesas ou Profetas, apenas os homens primogênitos das dinastias. No entanto, elas exibem uma pequena fração do poder. Frequentemente isso lhes custa a sanidade. Dar a luz à um Avatar também resulta em insanidade (e esterilidade). É por isso que Hawkins não tem irmão e tinha uma relação delicada com sua mãe (ela era doida). Outro ótimo exemplo é a querida vovó do Hawkins que matou quase toda a família e arrancou os próprios olhos logo depois da dar a luz (também enlouqueceu ao dar a luz a um avatar).

Regra extra: A natureza das crianças nascidas avatar é aleatória. Um avatar da luz pode ter um filho da escuridão. Por exemplo, a "Gêrencia", Lucius Belyakov descobriu seus poderes quando teve o Alexei (Brother Justin) e começou a ter sonhos e premonições sobre seu filho e seus atos no futuro, e, por isso tentou matá-lo no berço. Foi isso que com que a mãe de Iris e Justin fugisse da Rússia para os Estados Unidos, onde ela sonhou que um homem sagrado iria proteger as crianças (esse homem é Baltus, padre-pai adotivo dos irmãos).

Regra extra: Um avatar pode conceder uma parte de seus poderes, porém requer um sacrifício (Lodz, por exemplo, que sacrificou a visão literal para ganhar a visão psíquica).

Regra extra: É muito comum dinastias acabarem. Uma dinastia dura em média 3 gerações, pois os avatares têm uma vida curta e brutal, e encontram seu fim seja por conflitos internos entre familiares de naturezas opostas, violência de homens comuns por um medo  do "diferente". Isso não significa o fim dos avatares na Terra. Quando uma dinastia é dizimada ela começa de novo aleatoriamente em qualquer lugar do mundo.

Regra extra: Só dois profetas e dois príncipes por geração. Dois de cada natureza (afinal, a mãe é estéril).

Regra extra: Ao transferir vida, forma-se um elo espiritual (isso explica as cenas entre Lodz e Ruthie).

Sobre algumas exceções na dinastia, que são "avatares especiais": A Alpha, O Omega e O Condutor da Destruição (Usher of Destruction).

- A Alpha

A primeira Avatar que existiu. Ela foi a única mulher a dar a luz a dois Avatares (Um de cada Casa). Todo o resto que se sabia sobre ela perdeu-se no incêndio da biblioteca de Alexandria.

- O Usher

Ele sempre foi profetizado por dinastias ao longo da história. Por isso sempre esteve presente em várias culturas, e sempre foi associado à destruição e ao Armageddon. Na série, percebe-se através dos sonhos que O Usher é o Brother Justin, e sua representação espiritual é o homem tatuado. Só pode ser morto por uma lâmina ungida por Vitae Divina através de seu coração. Como eu amo a simbologia em Carnivàle! 

- O Omega

É quem traz o fim a era da magia (Age of Wonder). Afinal, é o contrario de Alpha (Começo e Fim). A Omega é a unica exceção de Avatar feminina junto com a Alpha. Sabemos agora quem é a Omega, não? O desenrolar da natureza do Omega e os conflitos internos da Sophie seriam parte importante das temporadas seguintes.


"Era você quem lia as cartas."

Voltando ao passado, temos Belyakov (Gerência), que quase foi morto pelo urso (ele chama esse evento de "ataque covarde de Scudder"). Ele abraçou completamente seu destino como Avatar da luz. E é essa justamente a função do avatar: aceitar seu destino, seja bom ou ruim. Em alguns casos seu destino é inspirar as pessoas em outros lutar contra a outra casa. De alguma forma ele deve ser um elo na corrente que levará a humanidade a Destruição/Armagedom ou ao "Nirvana". Ele aceita seu destino e quer consertar seu erro de ter aceitado o seu destino tarde demais matando o seu adversário, Scudder. Ele chega à essa realização após o ataque do urso, e ele teria morrido se não fosse um avatar e não tivesse uma resistência sobre-humana. Ele passou a estudar e se dedicar a dominar seus poderes. Descobriu que toda geração nasce uma criatura da luz e uma das trevas, enfim, estudou a gnose Avatar.

Descobriu que é mais comum um avatar não realizar seu potencial completo devido à ignorância e medo de que eles têm de suas próprias habilidades. Esses avatares sofriam muito, e infortúnios caiam sobre seus entes queridos, resultando em loucura e com isso seus poderes atrofiavam.

Descobriu que grandes profetas através da história incluem Jesus, que foi um excelente Avatar da Luz, assim como Buda. Além disso, Rasputin e Calígula foram Avatares da Escuridão com potencial completamente realizado, etc....

Belyakov foi para America, e tempos depois localizou Hawkings. É aí que a série começa, seguindo a trilha de Scudder e tutelando o seu Príncipe, o protagonista da série.

Carnivàle é cheia de mistérios, e entender as regras possibilita ver todas aquelas cenas enigmáticas com outros olhos. Mas por mais que o fantástico seja fascinante, ele é apenas um plano de fundo para os dramas humanos, com os quais Carnivàle sempre destacou-se dos outros seriados na época. Então o que queremos realmente saber, é o que aconteceu com os personagens, não é verdade?

A 4ª temporada começaria com uma elipse de 5 anos: Jonesy sobrevive ao tiro e está jogando beisebol de novo, e ele já é famoso. Ainda está casado com a Libby, que é a tipica mulher de celebridade em '39. Eles têm uma criança.

Sofie, minha personagem preferida teria destaque nas temporadas posteriores

Brother Justin sobrevive também. Não poderíamos seguir sem Clancy Brown, né? Ele está de volta, e é super influente por causa das transmissões de seus sermões via rádio. Porém, está muito doente e fraco por causa da ferida com a lâmina ungida. Ele é apenas uma fachada, e quem está realmente na influencia são as mulheres: Sofie e Iris, que lutam pelo poder. Sofie sendo o omega é a mais perigosa das duas. Mas Iris não deve ser subestimada! Sofie agora tem medo dela mesma, pois ela tem a inclinação moral das duas casas. Seu conflito interno e a natureza do Omega demorariam 2 temporadas para se completar. Há uma criança na morada desse núcleo. Ele tem 4 anos e chama Justin de pai. Mas os espectadores ficariam na dúvida em relação a paternidade, pois lembramos do romance entre Hawkins e Sofie. sabemos que criança pode ser do Hawkins. Justin e Sofie se casam em algum momento da terceira temporada

Yep. Não é da HBO sem incesto.

Para nossa tristeza, a trupe se dispersou. Apenas Sansom e Hawkins continuam em circo, mas estão viajando com uma trupe na europa, com a inteção de seguir a trilha das investigações de Belyakov para tentar encontrar documentos e "talismas" e é aí que talvez aparecesse na série de forma canônica essas regras da mitologia. Provavelmente nessas investigações que iam descobrir sobre a Omega, o "Manuscrito de Sauniére" tão citado na série por Smith, o assitente do oculto de Justin no final da segunda temporada. Talvez encontrassem algumas Vectori malucas lá na Europa.

O criador da série então diz que em seguida, Hawkins e Samson iam reunir novmente a velha equipe de Carnivàle, pois eles são seguidores do Hawkins (Paralelo Messiânico). Eles iam enfrentar um conflito e proteger-se dentro do grupo do Circo, pois a  Ordem de Jericó os ameaça. Essa ordem,  de acordo com o roteiro base, era um equivalente do "KKK", que pregava ódio contra outras religiões, etnias (e circenses e ciganos!), da qual Justin havia se tornado líder.

Ben e Sofie entra a 4ª e 6ª temporada continuam um romance. Na 5ª temporada, um dos temas principais é parar a bomba, o "falso sol de trinity" que acabou com a "era da magia" que Samson menciona em seu primeiro monologo. Ben interpreta isso como o fim do mundo, o Armagedom. Mas ele eventualmente descobre de alguma maneira que isso na verdade é só o fim dos avatares. A reviravolta final, é que Sofie e Hawkins decidem sacrificar seu filho na explosão

Bom, mesmo com a entrevista, ficam muitas pontas soltas...

Sofie, sendo a Omega, deve fazer o que?

Acabar com os avatares e depois morrer também?

O diretor da série deixa implícito que nas temporadas finais aconteceria algo que faria com que Ben decidisse que os avatares não deveriam mais existir, algo muito ruim...

O que o leva a tal decisão seria um dos temas principais da temporada final, e o arco final dessa temática, seria Hawkins chegando a conclusão de que a era da razão pode ser tão nobre quanto a era da magia (explicando em outras palavras: na era da razão, não temos avatares, na era da magia, os temos). 


O criador da série diz que Hawkins perceberia que a era da razão não é tão ruim. A explosão da bomba nuclear (vista em sonhos proféticos na série), abriria uma era da razão, e que, no mundo real já aconteceu.

Éramos "crianças" (a humanidade) antes da detonação daquela bomba no deserto 1940. A "Era Nuclear" fez com que nós contemplássemos nossa própria mortalidade, e que perceber que podemos destruir a si mesmos; aniquilação total em segundos, fez com que crescêssemos.

Agora somos "adultos" e cuidamos da camada de ozônio, por exemplo.

Atingimos um novo nível de existência, separados da natureza e sim, e somos capazes de atos de crueldade e holocaustos, sim.

Mas ao mesmo tempo, somos a única especie que faz algo como resgatar uma baleia encalhada... somos a única espécia capaz de refletir sobre o que fazemos....

E crescemos muito ao deixar "coisas infantis" da Era da Magia para trás.

Obs: essa postagem é baseada nas informações do roteiro da série "Carnivàle pitch document e uma entrevista com o criador da série.

Sugiro a leitura integral da entrevista: Parte 1 e parte 2